Natal tá aí! Já gastei uma grana incrível nessas duas últimas semanas. É vestido novo pra festa do natal. É vestido novo pro reveillon. É sandália nova. É colar. É brinco. É calcinha vermelha pra dar sorte no amor (kkkk...). É presente pra família. É tinta pra pintar a casa. É sofá novo. É comida pra ceia. É até esmalte!!!! Putz... Natal é mesmo uma festa pra gastar. Como todos dizem: Natal é mais uma data comercial e só. É mais um pretexto pra consumir. E como o povo adooooooora consumir... já foi! Mas é sobre isso mesmo que eu queria falar. Sobre o consumo!
Nessas duas últimas décadas passamos a viver uma intensa fase de compressão de tempo e espaço, ou seja, o tempo ficou cada vez mais insuficiente para suprir nossos objetivos e a distância entre diferentes espaços ficou ainda menor graças à internet. A aceleração do tempo do giro na produção capitalista envolveu também acelerações no conSumo. Sistemas aperfeiçoados de comunicação e de fluxo de informações possibilitaram a circulação de mercadorias no mercado a uma velocidade ainda maior.
Diante disso, uma forte conseqüência foi a acentuação da efemeridade das mercadorias, das modas, das idéias e ideologias, dos valores e das práticas estabelecidas. Na dinâmica da sociedade “descartável”, na só os bens materiais que são jogados fora (criando um problema sobre o que fazer com o lixo), mas também os valores, os estilos de vida, os relacionamentos estáveis, o apego as coisas, as pessoas e os modos adquiridos de agir e ser. A publicidade atualmente não mais compartilha da idéia de informar ou promover algum produto, mas sim do objetivo de ManIpuLar os desejos e gostos mediante imagem que podem ou não ter relação com o produto a ser vendido. O capitalismo agora não se preocupa unicamente com a produção de mercadorias, mas também com a produção de símbolos e imagens. A competição no mercado da construção de passou a ser um aspecto vital da concorrência entre as empresas.
Uma pessoa que adquire uma imagem através da compra de roupas de griffe ou de carros da moda, por exemplo, passa a ser parte integrante da busca de identidade individual, auto-realização e significado na vida. A efemeridade dessas imagens é justamente o resultado do consumo exacerbado na busca constante das pessoas de estabelecerem sua própria identidade.
Mas também não é sempre que as pessoas consomem as idéias vendidas da forma exata que ela é vendida. Há possibilidades de se consumir uma idéia que domina sobre toda sociedade de uma forma diferente, com crítica e até astúcia, fazendo com que o objetivo principal da mensagem (da propaganda, por exemplo) seja contrariado. Isso é o que acontece com os meios “populares” que difundem a cultura “elitizada” num aspecto diverso do original, mostrando uma resistência dessa parte da sociedade em absorver a simbologia imposta pela classe social que a fabrica e a domina. Aquilo o que se chama de “vulgarização” da cultura seria, então, um aspecto caricaturado e parcial de revanche que a tradição de determinadas tendências sociais tomam do poder dominador da produção.Portanto, o consumo não é só tirar o dinheiro da carteira e torrar no shopping. É preciso ter cautela com a idéia de bem-estar que se vende, com a idéia de moral que se vende, com a idéia de felicidade que se compram.
Festas Boas!

