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Um pouco de cultura, conversa fiada e piadinhas nao faz mal a ninguem, ne?

Confusão


Demorei meses pra escrever esse texto. Ele estava tão confuso que nem eu mesma conseguia entendê-lo. Também... quem entende o que é o amor? Putz... ele é a coisa mais confusa que pode tomar alguém e, ao mesmo tempo,a coisa mais gostosa de se possuir. Há alguns meses, assistindo a um filme, descobri que a palavra paixão significa sofrer, vindo daí a “Paixão de Cristo”, por exemplo. Mas o interessante é o caso de se estar apaixonado. Apaixonar é sofrer. É sofrer por amor e gostar desse sofrer.

Para se viver um romance é preciso se apaixonar, sofre e rezar que a paixão não termine. Nos mobilizamos em busca da felicidade do amor justamente pela pura expectativa da infelicidade que nos ronda. Sem sofrimento, não há paixão, não há romance.

Quando se está apaixonado tudo traz sofrimento. A insônia, a insegurança, a timidez. Será que falei besteira? Será que vai dar certo? Será que ele gosta de mim? Será que eu sou burra? Será que estou sendo injusta? Será que pirei?... E aí vai. Nesse sentido não há coisa mais maravilhosa de se sentir. Adoro o frio na barriga, a palpitação, a tremedeira, o suor frio, o arrepio, a dúvida, a imaginação. É muito bom, apesar de doloroso.

O fato de não ter escrito esse texto antes foi por conta de ter tentado me convencer de que não estava sofrendo. Mudei quase tudo do que queria dizer. Admito que sofro e que, apesar de meus medos, gosto cada vez mais desse sofrimento, mesmo que ele não me leve a lugar algum. Imagino o cheiro, o toque, os olhares, os suspiros, as palavras, as mãos, o abraço... sofro tanto.

PS.: Para quem estiver interessado em conhecer o filme, ele se chama Romance, do diretor Guel Arraes.

UM BOM FILHO A CASA RETORNA

Retornando novamente ao batente, o blog está transformado. Semana que vem estou de volta.
Beijos!

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Natal tá aí! Já gastei uma grana incrível nessas duas últimas semanas. É vestido novo pra festa do natal. É vestido novo pro reveillon. É sandália nova. É colar. É brinco. É calcinha vermelha pra dar sorte no amor (kkkk...). É presente pra família. É tinta pra pintar a casa. É sofá novo. É comida pra ceia. É até esmalte!!!!

Putz... Natal é mesmo uma festa pra gastar. Como todos dizem: Natal é mais uma data
comercial e só. É mais um pretexto pra consumir. E como o povo adooooooora consumir... já foi! Mas é sobre isso mesmo que eu queria falar. Sobre o consumo!

Nessas duas últimas décadas passamos a viver uma intensa fase de
compressão de tempo e espaço, ou seja, o tempo ficou cada vez mais insuficiente para suprir nossos objetivos e a distância entre diferentes espaços ficou ainda menor graças à internet. A aceleração do tempo do giro na produção capitalista envolveu também acelerações no conSumo. Sistemas aperfeiçoados de comunicação e de fluxo de informações possibilitaram a circulação de mercadorias no mercado a uma velocidade ainda maior.

Diante disso, uma forte conseqüência foi a acentuação da
efemeridade das mercadorias, das modas, das idéias e ideologias, dos valores e das práticas estabelecidas. Na dinâmica da sociedade “descartável”, na só os bens materiais que são jogados fora (criando um problema sobre o que fazer com o lixo), mas também os valores, os estilos de vida, os relacionamentos estáveis, o apego as coisas, as pessoas e os modos adquiridos de agir e ser. A publicidade atualmente não mais compartilha da idéia de informar ou promover algum produto, mas sim do objetivo de ManIpuLar os desejos e gostos mediante imagem que podem ou não ter relação com o produto a ser vendido. O capitalismo agora não se preocupa unicamente com a produção de mercadorias, mas também com a produção de símbolos e imagens. A competição no mercado da construção de passou a ser um aspecto vital da concorrência entre as empresas.

Uma pessoa que adquire uma imagem através da compra de roupas de griffe ou de carros da moda, por exemplo, passa a ser parte integrante da busca de identidade individual, auto-realização e significado na vida. A efemeridade dessas imagens é justamente o resultado do consumo exacerbado na busca constante das pessoas de estabelecerem sua própria
identidade.

Mas também não é sempre que as pessoas consomem as idéias vendidas da forma exata que ela é vendida. Há possibilidades de se consumir uma idéia que domina sobre toda sociedade de uma forma diferente, com
crítica e até astúcia, fazendo com que o objetivo principal da mensagem (da propaganda, por exemplo) seja contrariado. Isso é o que acontece com os meios “populares” que difundem a cultura “elitizada” num aspecto diverso do original, mostrando uma resistência dessa parte da sociedade em absorver a simbologia imposta pela classe social que a fabrica e a domina. Aquilo o que se chama de “vulgarização” da cultura seria, então, um aspecto caricaturado e parcial de revanche que a tradição de determinadas tendências sociais tomam do poder dominador da produção.

Portanto, o consumo não é só tirar o dinheiro da carteira e torrar no shopping. É preciso ter cautela com a idéia de bem-estar que se vende, com a idéia de moral que se vende, com a idéia de
felicidade que se compram.


Festas Boas!