RSS
Um pouco de cultura, conversa fiada e piadinhas nao faz mal a ninguem, ne?

É o que faz a Diferença!!!




“Fala garera...beleza? Como vai as vida de vocês? Tranquilinha? Que bão!”
Estranho, não é?! Às vezes é até absurdo acreditar que alguém fale algo assim. Pois fique sabendo que muita gente que fala, viu!
Na minha casa tem uma moça que trabalha para a minha mãe com a função de babá dos meus sobrinhos. Pessoas, vocês não têm noção das “pedradas” que ela joga na nossa língua portuguesa(nossa ou de Portugal?). Primeiramente, ela chama o meu sobrinho, que tem o nome Enzo, de “Enzio”! Ééééééé... Mas o melhor mesmo é quando ela o ameaça em colocá-lo de castigo. Ela diz: Enzio venha cá que cê vai ficar de CARTIGO! “Cartigo”, galera?! Bizarro demais. Eu não sei, não... A cada dia me surpreendo com as figuras que atravessam a minha vidinha.
Mas eu não fico abalada e nem a discrimino por isso. Ao contrário! Respeito-a muito. Afinal, não se deve culpar alguém só porque ele não fala como você. Coitada das pessoas do interior que quando chegam à capital, lançam nos seus diálogos aquele clássico sotaque de tabaréu, criando um show de comédia para nós, urbanos.
Eu mesma já passei por uma situação de falar uma porrada de besteiras. Há uns três meses eu fui roubada e tive de dar uma queixa na delegacia. Quando o policial me chamou par me atender e quando comecei a falar, percebi que estava também no sistema. Acompanhe o diálogo:
- Então, senhora Aline, fique à vontade para dar a sua declaração sobre o delito.
-Beleza! Tipo assim... foi o seguinte, estava no “buzú”(ônibus), ouvindo o meu som no fone de ouvido com o celular e tal!
-Sim senhora...
- Aí velho, quando eu ia saltar no ponto, o vadio do ladrão me deu um empurrão e, como o buzú estava cheio, ele ainda se aproveitou e “güelou” (afanou) o celular que estava dentro da minha bolsa sem que me desse conta do que acontecia.
- A senhora não teve a sensibilidade de que estava sendo furtada?
- Não! E o cachorro ainda virou para a minha cara e pediu desculpas pelo empurrão. Só percebi o roubo quando já tinha saltado do ônibus e ele já tinha “se picado” (sumido) da minha vista.
-Compreendo!
O pior é que só vim perceber a influência desse meu vocabulário jovial baiano quando acabei de falar. Era tarde demais Sabe como é, né? Empolguei-me!
O regionalismo da língua nos acompanha e não tem quem dê jeito. Tá no inconsciente!
Agora, só para terminar o caso da delegacia, a única pessoa que conseguiu me superar nessa história foi uma senhora que tinha sido roubada, ou assaltada, ou estuprada, sei lá! Ninguém do estabelecimento conseguia entender o que teria acontecido com a tal senhora. Primeiro porque ela entrou na delegacia literalmente gritando: Ahhhhh!!! Ahhhhh!!! Ahhhhh!!!(parecia uma arara, tadinha.) Segundo porque ela era muda! Isso mesmo. Ela não articulava a linguagem de maneira plena. Por isso que ela gritava. O mais impressionante foi na hora que ela teve de dar o depoimento sobre o que aconteceu. Eu realmente não entendia “piegas” do que ela dizia (ninguém entendia) Talvez ela estivesse exercitando mais uma nova variante da nossa língua e eu não percebi... Talvez algo avançadíssimo e fora do meu humilde campo intelectual (brincadeirinha). Eu só sei que fui embora e ela ficou lá praticando o seu dialeto maneiro.
Mas é isso mesmo, galera! Ninguém fala da mesma forma e essa diversidade tem de ser respeitada porque essas variantes lingüísticas são nada mais, nada menos que as nossas culturas se mostrando de maneiras distintas e originais. É o Brasil que eu amo!
Discriminar o jeito o outro falar é automaticamente considerar a sua linguagem como a única correta e absoluta. E como se diz a filosofia: não existe a verdade absoluta do discurso.
Ok, meninas e meninos?!
Abraços e viva a língua falada!