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Um pouco de cultura, conversa fiada e piadinhas nao faz mal a ninguem, ne?

Tá passando...



Diante de tanta angústia sobre a minha indefinição da presença ou ausência de um deus na Terra, cheguei a conclusão( pelo ao menos até agora) que, de fato, ele existe e para mim Deus é o tempo!

O tempo é algo fantástico. Ele é justo! Atinge a todos, não tem preferências e comanda tudo. É tão importante que até o próprio Caetano Veloso fez uma oração para Ele, sem contar que o Gilberto Gil o chama de “Tempo Rei”. Nossa... às vezes acho tudo muito amplo para a minha cuca, sabe? É uma confusão. Se eu me perder nas palavras e nas idéias que você lerá, me perdoe viu! Vamo lá!

Cada minuto da vida é Vida! Desde o instante em que se nasce já se começa a morrer. O tempo não te espera e nem me espera também. Ele vai... Através dele percebo que muita coisa se repete. As velhas formas do viver permanecem apenas em novas épocas. Os conflitos se repetem, as grandes comemorações se repetem (claro que novas cerimônias surgem, nas quais, provavelmente, permanecerão também ao longo dos anos junto com as antigas). Até a moda volta! O tempo dá voltas.

O mais louco disso tudo é a nossa tentativa de resistir e permanecer no tempo. Não digo isso na questão da estética física, mas também na ação instintiva natural do homem. Um exemplo bacana é a necessidade pregada pela sociedade que toda pessoa tem de ter um filho. O filho é a propagação da sua linhagem e da sua história através dos anos. Ninguém quer ser esquecido. Quando você pensar nos seus bisavós, não esqueça de que eles, assim como você, quiseram se propagar pelas gerações, tanto que muitos amigos meus até hoje sabem da vida de seus antepassados e preservam isso.

O bisneto nunca vai esquecer o bisavô que lutou na Primeira Guerra Mundial ou do avô que foi guerrilheiro na Coluna Prestes! Getúlio Vargas nunca será esquecido. Na sua carta, escrita momentos antes do seu suicídio, a frase clássica foi a que ele dizia que estava saindo da vida para entrar na história. De fato, ele entrou na história, venceu o esquecimento do tempo e se prolongou pelas novas gerações até hoje! Sabe aquele ditado que diz que todas as pessoas têm de plantar uma árvore, fazer um filho e ler um livro? Pois então, esses são os três caminhos para nos prolongarmos no tempo. Escrever um livro é a propagação e conseqüentemente a permanência das suas idéias, enquanto que a árvore é a metáfora do seu desejo de viver mais.

Eu desejo a longevidade e assim como muitos, não quero ser esquecida. Talvez por isso eu esteja aqui. Eu também não quero esquecer o que se passou e por isso recorro às nostalgias. Sempre faço orações ao tempo, como Caetano, pedindo o “prazer legítimo e o movimento preciso quando o tempo for propício. De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido e eu espalhe benefícios.”

E quando eu deixar o ciclo do tempo, nada mais serei se não nostalgias. Mas “ainda assim acredito ser possível
reunirmos-nos num outro tipo de vínculo”
Tempo, tempo, tempo, tempo...
* os trechos destacados pertencem à música "Oração ao Tempo" de Caetano Veloso

Música do dia

Hoje, dia das crianças, estreio a primeira categoria de textos do blog. Esta será relacionada a música que encaixada num contexto a ser referido, pretende uma troca de conceitos sobre temas através das composições. O contexto que proponho como início é o dia das crianças. Quando acordei essa manhã e vi os meus sobrinhos felizes ganhando presentes, cheguei a conclusão de que, aos meus 18 anos, deixei de ser infantil, ou infanto juvenil... enfim! Não sou mais a mesma(para alguns)!

Então, aí vai a composição que me faz refletir sobre o meu 12 de outubro.


"Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia,
E quem eu queria bem me esquecia.
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.
Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara já não é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar."

(ANTUNES, Arnaldo - Não vou me adaptar)

E a sua música... Qual é?